quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Almanegra Orange 2016: Uma bela novidade de Ernesto Catena!


Não é sempre que surgem novidades no mundo do vinho. Tem muita coisa igual, sem a capacidade de surpreender paladares. Bem, os chamados "vinhos laranja" também não são novidades, mas este Almanegra Orange 2016, de Ernesto Catena, sai do campo "normal", é novidade no mercado e agrada muito. A garrafa é algo a parte. Bonita, bojuda, pesada, rotulada à mão, com rolha usadas em vinho do porto. De muito bom gosto. O conteúdo, não fica atrás. Como em outros "vinhos laranja", as uvas são fermentadas com as cascas, dando a cor característica. Aliás, que uvas? A identidade não é revelada. Eu acho que tem Chardonnay e Semillon, mas é só chute. Torrontés, talvez? O vinho é depois maturado por 9 meses em barricas, o que lhe agrega ótima complexidade, mas sem deixar marcas. Além da cor linda, o vinho é muito aromático. São claras as notas florais e de damasco, em um fundo cítrico, leve mel,  e amendoado. Em boca é seco, mas volumoso, tem boa acidez e final longo e frutado. Desce fácil! Delicioso! Para beber solo ou acompanhar comida. Acredito que encare até uma sobremesa. Não pelo dulçor, mas pelo volume e pela fruta que é estrela neste vinho. Como para outros vinhos laranja, a temperatura é chave. Embora não haja problema em bebe-lo mais resfriado, o ideal é apreciá-lo em temperatura entre 10-12 graus, quando ele exala melhor os seus aromas. Recomendo! Comprei na VinhoBr. Obs: Apenas 2.666 garrafas foram produzidas, de maneira artesanal. O contra-rótulo traz uma frase legal do Ernesto: "Orange es la bandera de guerra que alzamos junto a los productores de vinos artesanales contra la industrialización del arte de hacer vinos".
Vejam que bela cor!




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Quem Procura, acha! Procura 2012, La Vicalanda Reserva 2009 e outros

Esta reunião da confraria já tem um bom tempo... Mas achei as fotos e quem procura, acha! E quem achou um belo vinho para nos brindar foi o Paulinho, Rei dos Portugueses: Procura 2012! O nome do vinho vem mesmo da procura feita pela produtora, a espanhola Susana Esteban, por vinhas no Alentejo para fazer seus vinhos. E segundo ela, essa procura só terminou em 2011, quando encontrou duas parcelas muitos especiais. A primeira, de Alicante Bouschet, de baixíssima produção, plantada em solos xistosos. A segunda, uma mistura de castas em Portalegre, também de baixa produção, em uma região muito fresca. O Procura 2012 foi feito com Alicante Bouschet (45%) e outras castas (55%). A fermentação foi em inox e a maturação em barricas de carvalho francês 30% novas, por 16 meses. A produção foi pequena, de apenas 5.100 garrafas. É um vinho especial! Cor escura, bonita, brilhante. Aromas de fruta madura, tabaco, chocolate e grafite. Em boca, intensidade e muito frescor, com taninos presentes e muito acertados. O vinho é sedoso, cremoso, com final longo e mineral. Os 14,5% de álcool não se fazem notar. Uma beleza! O melhor da noite, disparado! Vinhão!

O Joãozinho levou um La Vicalanda Reserva 2009. O vinho, riojano das centenárias Bodegas Bilbaínas, é um 100% Tempranillo produzido com uvas cultivadas com manejo sustentável, sem uso de inseticidas. A maturação é feita em barricas novas de carvalho francês Allier, com tostado médio, por 14 meses. Trasfegas são realizadas para dispensar filtração ou colagem. Após engarrafamento, o vinho descansa no mínimo 24 meses em garrafa antes de ir ao mercado.  O vinho tem aromas vivos, de cereja, ameixas, casca de laranja, alcaçuz e especiarias, como cravo e canela. Em boca mostra ótima acidez, mas ainda está nervoso, tânico. Talvez se acalmasse com alguma decantação. O fato é que precisa de uns anos para dar uma sossegada. Mas é um vinho com muita estrutura e bom futuro. 


O Caião levou um Carmelo Patti Malbec 2007. Deste a turma é fã. Eu prefiro o Cabernet Sauvignon do produtor (e o blend), mas o Malbec também é bom. Tem cor mais clara, cereja, e aromas de framboesas e especiarias doces. Em boca mostra boa acidez, especiarias e taninos redondos. Um toquezinho de couro também é presente. Um bom Malbec de Carmelo Patti, sem exageros doces e diferentes dos padrões "Malbequianos" tradicionais. Bom vinho.

O Tonzinho levou embrulhado um Casillero del Diablo Legendary Collection 2011. O vinho é uma edição especial feito com 90% Cabernet Sauvignon e 10% Carmenére. Passa 14 meses em barricas francesas e americanas. Não teve erro - A turma matou na hora que era um CS chileno. O apimentado não deixava dúvidas. Mas ele não era exagerado. E não é que o vinho era bom? Claro que não era nenhuma Brastemp, mas era bem feito. Aromas de cassis, ameixas, cacau e pimenta do reino. Em boca, repetia o nariz e mostrava taninos finos, em um fundo mineral. Bom vinho. Parece que traz assinatura de jogadores do Manchester. Mas não sei quais...rs.
E para finalizar, um vinho doce, de sobremesa, levado pelo JP: Achaval Ferrer Dolce Malbec 2012. Já vi gente falar bem deste vinho, mas não será o meu caso. Se já tenho restrições a muitos vinhos de mesa feitos com a Malbec, pelo dulçor, imagina um doce prá valer, que tem doce até no nome? Parece que é feito utilizando uma abordagem similar ao ripasso. Bem, pense em algo doce e adoce um pouco mais. É isso! Muito doce para o meu gosto. Aliás, para o gosto de todos os confrades. Ninguém conseguiu beber muito dele. Mas deve ter gente que não ache tanto. Ah, e não é barato o danado.
Isso aí!




domingo, 6 de agosto de 2017

Chablis Billaud-Simon Grand Cru Vaudésir 2010: Grande Vinho!

Domaine Billaud-Simon Chablis Grand Cru Vaudésir 2010: O Akira abriu este vinhão em meu aniversário. O produtor é um dos mais populares de Chablis. Vaudésir é um dos sete Grand Cru de Chablis, e gera vinhos menos musculares que seus irmãos Les Clos e Valmur. O interessante é que ele abriga o vinhedo La Moutonne, de apenas 2,5 hectares, que não entra na AOC mas que é extraoficialmente considerado como se fosse um oitavo Grand Cru. Este Billaud-Simon Vaudésir 2010 tinha cor linda, amarelo clara, dourada. Aromas ricos de cítricos, casca de limão siciliano, maçã verde, nozes, leve mel e minerais. Em boca, intenso, seco, vibrante, fresco e mineral. Uma beleza de Chablis, com o frescor peculiar e a complexidade esperada de um Grand Cru. Evapora logo da taça! Excelente! Para beber solo ou acompanhando comida. O pessoal recomenda foie gras, lagosta e camarões. Uma falha: Faltou a foto da taça, importante para os brancos (como sempre diz meu amigo Eugênio Decantando...)

Nota: É bom ressaltar que um Chablis Grand Cru tem preço melhor que outros grandes brancos borgonheses de qualidade similar. 





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Momento de tristeza: Sensei Sasaki partiu

Sensei Sasaki. 8o Dan Shotokan pela Japan
Karatê Association. Figura adaptada do site:
http://www.fpktradicional.com.br
Quando iniciei minha pós-graduação em São Paulo, queria usar bem meu tempo, não apenas para os trabalhos científicos, mas também, para cuidar do meu corpo e mente. Sempre pratiquei esportes, e era iniciante no Karatê. Fui ao Centro de Práticas Esportivas da USP querendo me matricular na arte das mãos vazias. Informaram-me, no entanto, que o semestre já havia se iniciado, e que se eu quisesse, teria que falar diretamente com o professor. Mal sabia eu que se tratava do Grande Mestre, Sensei Yasuyuki Sasaki. Era uma terça-feira e havia aulas à noite. Fui então um pouco antes da aula começar, já com meu kimono, falar com o Sensei sobre a possibilidade de praticar Karatê. Ao entrar no ginásio, ainda vazio, me deparei com uma figura imponente e ao mesmo tempo calma, sentada no dojô realizando seu aquecimento. Ele era assim, sempre chegava antes dos discípulos. Caminhei em direção a ele, me sentei em posição de respeito e o cumprimentei. Ele olhou para mim, pediu um tempo, e depois de alguns minutos foi falar comigo. Disse-lhe de minha vontade, e ele, rapidamente, buscou um diário que trazia os nomes dos alunos. Passou o olho por ele e riscou um dos nomes, de um aluno que já havia faltado quatro vezes, colocando o meu no lugar. Obviamente, fiquei muito feliz e lhe perguntei quando iniciaria. Ele respondeu surpreso: "Agora! Você não está de kimono? Entrou no lugar de alguém que já tinha 4 faltas, portanto, não pode faltar mais". Fiquei feliz e fiz meu primeiro treino. Aliás, não foi meu primeiro treino como aluno do Sensei Sasaki - Foi meu primeiro treino de Karatê! Considerei que aquele era meu início, que tudo que havia feito antes, era nada. E tinha toda a razão. Nos incontáveis treinos, extenuantes, como sempre, tive o prazer de desfrutar dos ensinamentos de um grande mestre. Fui um privilegiado! Além dos refinados ensinamentos técnicos, recebi do Sensei grandes lições de caráter. Lembro-me de inúmeras conversas que tivemos, no CEPEUSP ou nos famosos Gashukus em São Roque. Algumas delas, me deram força para superar as inúmeras dificuldades que passei. Certa vez, no final de um treino, entre dezenas de alunos, ele olhou para mim e me convidou para tomar um suco de laranja na cantina do CEPÊ. No caminho, me disse que havia notado que eu estava passando por dificuldades. Com toda a sua filosofia e sensibilidade, o Sensei Sasaki foi me dando força, por meio de suas metáforas e experiência de vida. Nesta conversa, especificamente, ganhei forças para concluir meus trabalhos e continuar em frente. O Sensei fará muito falta. Ele representou muito para o Karatê brasileiro. Formou um número imenso de Karatecas que hoje, perpetuam seus ensinamentos. Ele não era um Professor de Karatê. Era um Mestre! Não ensinava um esporte, e sim, uma Arte Marcial. Sensei Sasaki não era, Sensei Sasaki é! Hoje foi um dia triste, de recordações e muita gratidão ao mestre que tive o prazer de ter. Hoje, em sua homenagem, farei o Kata Hangetsu, que ele gostava muito (e eu também). 

Oss!



Bela noite: Alfa Centauri Sauvignon Blanc 2008, Guidalberto 2011, Cortes de Cima Trincadeira 2011, Magnesia 2013, Alfa Crux Blend 2007 e Royal Tokaji 5 Puttonyos 2009!

Esta postagem também estava engavetada, há muito tempo. Foi uma noite com ótimos vinhos. 
Para começar, o vinho que levei: Alfa Centauri Sauvignon Blanc 2008. Sauvignon de O.Fournier, barricado, mais ao estilo Bordeaux que Loire. Recebeu muitos elogios da crítica, sendo considerado por alguns, o melhor feito com a casta tempos atrás. Cor bonita, brilhante, ele é rico em aromas cítricos, nozes e minerais. Em boca, repete o nariz e mostra-se denso e cremoso. Ótima persistência! Sauvignon de muita classe. Recomendado! O Rodrigo pediu um ceviche para acompanhar, mas a conclusão, muito acertada, foi que o prato estava ótimo, o vinho idem, mas os dois juntos não. Era Sauvignon para pratos menos frescos, mais encorpados.






Indo para os tintos, um ótimo Cortes de Cima Trincadeira 2011, levado pelo rei dos portugueses, Paulinho. Vinho com destaque para a fruta silvestre viva, toques florais e leve baunilha. Em boca, bom frescor e mineralidade. Havia provado tempos atrás, e gostado muito. Achei destaque entre os vinhos produzidos pela vinícola em 2011, na mesma faixa. 
O Thiagão levou uma novidade: Magnesia Öküzgözü 2013. O vinho é da Turquia, e feito com a uva Öküzgözü (quanta trema!). A fermentação é em inox e a maturação por apenas 6 meses em barricas usadas. Assim, não há marcas da madeira. O vinho tem cor clara e aromas frutados, de morango e framboesa. Em boca é bem leve, pouco tanino e com baixa acidez. Bem levinho e final curto, mas fácil de beber. Agradável, mas faltou "punch". Já não foi o caso dos dois tintos à direita dela na foto.
O Guidalberto 2011, da Tenuta San Guido, levado pelo Tonzinho, era um corte de Cabernet Sauvignon (60%) e Merlot (40%), com maturação por 15 meses em barricas francesas e uma pequena porcentagem em americanas. Ele tinha aromas ricos de cereja preta, amoras, alcaçuz e pimenta-do-reino. Intenso em boca, com ótima acidez e taninos finos. O final era longo e rico em especiarias. Belo vinho! Para alguns anos de adega ainda. Uma ótima apresentação ao seu irmão maior, Sassicaia...
O JP levou um querido da turma: Alfa-Crux Blend 2007. Mais um bom vinho de O.Fournier, já com um bom tempo de garrafa. Corte de Tempranillo, Malbec e Cabernet Sauvignon. Sempre digo que, com os olhos fechados, muita gente diria se tratar der um bom espanhol. Vinho com aromas de cereja, ameixas, toffee, especiarias e um fundinho de menta. Em boca, boa acidez, taninos macios e final longo. Muito gostoso, sempre.
E para finalizar a noite, acompanhando a sobremesa, um belo Royal Tokaji 5 Puttonyos 2009, levado pelo Caião. Delícia de Tokaji, com notas de damasco, cítricas, gengibre e mel. Fechou a noite com muita classe.
Isso aí!


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Belíssimos portugueses: Xisto 2011, Vale de Ancho Reserva 2004, Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2010 e Quinta da Romaneira 2005!


Nessa noite da confraria combinamos só levar portugueses. E não foram quaisquer vinhos. O Rodrigo levou este grande Xisto 2011. Aliás ele já nos brindou com outro dele (clique aqui). Vinho superlativo, cheio de camadas, frutas silvestres em meio a notas de especiarias e chocolate amargo. Intenso em boca, com ótima acidez e taninos finos. Demanda decanter ou bons anos na adega, mas já pode ser apreciado. Um vinhão!
O Paulinho levou um ótimo alentejano: Vale de Ancho Reserva 2004. Seu irmão de 2006 já pintou em nossas mesas duas vezes (aqui e alí). Está mais senhorío que seu irmão de 2006. Mostra aromas ricos de fruta madura, alcaçuz e tabaco. Em boca, repete a sedosidade de seu irmão, e grande equilíbrio. Vinho de grande classe, muito refinado. Delicioso!
Do lado direito dele, na foto, um que é figurinha carimbada aqui no blog, e que também já deu as caras por aqui: Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2010, levado pelo JP. Como ele já foi descrito duas vezes aqui no blog, vou dispensar muitos comentários. A não ser que está uma beleza! Vinhão!
E para finalizar, um Quinta da Romaneira 2005, levado por este que vos escreve. Este sou fã também. Seu irmão de 2007 já pintou por aqui, e outros virão... Vinho com notas de kirsch, amoras, chocolate amargo e toques minerais. Em boca, boa acidez, taninos finos e mineralidade, que lhe tornam muito agradável, pedindo sempre outra taça. Final longo e especiado. Duriense de primeira! Como diria o Rodrigo: "Bão tamém"!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Tilenus Joven 2010: Gastronômico!

Tilenus Joven 2010: Vinho espanhol da região de Bierzo, feito com Mencía (Jaen, em Portugal), sem passagem por madeira. No começo, ao nariz, mostra-se meio nervoso, mas com o tempo, se equilibra e fica muito legal. Tem aromas florais e de ameixas, cerejas, em meio a toques picantes, especiarias e de azeitona. Em boca, acidez vibrante, taninos redondos, mineralidade e final picante. Tem um leve amargor, que pode causar estranheza quando o vinho é apreciado solo, mas que o torna muito gastronômico. Eu, particularmente, gosto. É vinho para comida! Ficou ótimo com um Strognoff... Dizem que a Mencía tem parentesco com a Cabernet Franc, e este lembrava mesmo vinhos feitos com esta uva. Um vinho de entrada, mas que traz boa complexidade. Gostei dele! Será que a safra deu uma ajuda? Pelos que apreciei, é o produtor que é  bom mesmo. Aliás, os vinhos são feitos sob a batuta do grande Raul Perez. Taí o certificado de qualidade.
Eu só tenho que lamentar os preços praticados aqui no Brasil. Quando se vê os preços na loja on line das Bodegas Estefania, é de dar tristeza, pois são vinhos de excelente preço lá, e ótima qualidade. 





segunda-feira, 31 de julho de 2017

Gravner Breg 2000, Dominique Laurent Vosne-Romanée 2007 e Escultor 2010

Bebemos estes vinhos em uma noite na qual foram apreciados dois grandes (na verdade, enormes...) borgonheses, que infelizmente, estavam passados. Assim, nem vou mencionar quais eram.

Gravner Breg 2000: Obra do grande Josko Gravner, do Friuli. É feito com Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Grigio e Riesling itálico. O último que não usou ânfora. As uvas foram fermentadas separadamente e afinadas juntas por 3 anos em grandes botti de carvalho da eslavônia. A cor é amarelo escura, devido à fermentação em contato com as cascas, e os aromas de pêssego, marmelo, maçã e mel. Em boca, no entanto, me decepcionou. Para mim, estava cansado, com acidez abaixo do esperado para lhe aportar frescor. Muito diferente de um esplendoroso Gravner Ribolla 2005 que bebi tempos atrás, que mostrava-se vivo e vibrante (logo postarei). Dava para beber? Sim, claro. Mas quando eu lembrava do Ribolla, ficava triste. Uma pena.

Dominique Laurent Vosne-Romanée Vieilles Vignes 2007: Um vinhão do chamado "mágico das barricas". Aromas florais, de cereja preta, terrosos e tostados. Em boca, bom corpo, taninos sedosos e final mineral. Uma delícia de vinho, que evapora ligeiro da taça... Compensou os outros dois borgonheses estragados que nos fizeram chorar.
Este Escultor 2010 foi feito com Trincadeira, Aragonês e Petit Verdot (um pouquinho diferente de seu irmão de 2007). Apenas 3333 garrafas foram produzidas. É vinho feito apenas em algumas safras. Top da alentejana Monte do Pintor. Ao nariz, notas de fruta madura, ameixas e amoras, em meio a baunilha, chocolate e tostado. Em boca, denso, boa acidez e muito sedoso. Destaque para sua maciez e intensidade. Fica degraus acima de seu irmão Monte do Pintor Reserva, que já é muito bom. Vinho dos grandes, que teria bons anos pela frente, o que deveria até contribuir para dar uma atenuada na baunilha. 






quarta-feira, 26 de julho de 2017

Fabre Montmayou Gran Vin 2009 e Trapiche Single Vineyard Cristina y Bibiana Coletto 2008: Dois argentinos de categoria!


Fabre Montmayou Gran Vin 2009: Vinho top desta vinícola boutique, conhecida por produzir vinhos muito elegantes. E não podia ser diferente, vindo de um produtor (Hervé Joyaux Fabre) nascido em Bordeaux. O vinho é feito com uvas (Malbec 85%, Cabernet Sauvignon 10% e Merlot 5%) de vinhedos de baixo rendimento, plantados em 1908. A maturação é por 16 meses em barricas de carvalho francês. Tem bela cor rubi escura e aromas de cerejas e ameixas, em um fundo abaunilhado e especiado. Em boca, destaca-se pela sua elegância e maciez. Muito equilibrado, com boa acidez e taninos sedosos. Ótimo vinho, que destaca-se pela elegância, lembrando bons bordeaux. Levado pelo Joãozinho. Muito boa pedida!

Trapiche Single Vineyard Cristina y Bibiana Coletto 2008: Da série de single vineyards da Trapiche, que sempre gera belos vinhos. São Malbecs acima da média, com excelente qualidade. Sempre digo que esta linha é o máximo que eu espero da Malbec. São ótimos! E este da foto não é diferente. Vinho bem feito, polido, com fruta madura, tostado, toffee e especiarias. Muito sedoso em boca, com acidez equilibrando dulçor da Malbec. Fez sucesso, apesar de não ter vencido a briga com o Fabre Montmayou. Acho que foi levado pelo Caião, que acertou... 




terça-feira, 25 de julho de 2017

Casa Ferreirinha Vinha Grande 2010 e Emilio Moro Finca Resalso 2010: Bons vinhos!

Dois ibéricos 2010, de produtores que sempre agradam. Bom duelo, vencido pelo português.

Casa Ferreirinha Vinha Grande 2010: Notas de frutas silvestres, florais e especiarias (além daquele aroma que só os Ferreirinha tem, e que eu não consigo definir). Em boca, frescor, elegância e equilíbrio, típicos dos vinhos da casa. Muito bom agora e preparado para aguentar em adega.

Emilio Moro Finca Resalso 2010: A bela safra garante a qualidade deste vinho de entrada de Emilio Moro. Notas de cereja preta, café com leite e minerais. Em boca, repete o nariz, mostra médio corpo e bons taninos. Vinho simples, de entrada da vinícola. Mas não faz feio, pelo menos pelo preço que era encontrado tempos atrás no Brasil. Pelo preço que é cobrado atualmente, ponho mais uma graninha e pego seu irmão maior. Perde a batalha fácil para seu parceiro na noite. Teria que ser o seu irmão para competir com o Vinha Grande.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Festão do Caião: Almaviva 2010, Lindaflor La Violeta 2008, Valduero 6 Años 2005, etc

Aniversário do Caião no Cabaña. Já faz um bom tempo... Mas não poderia deixar a postagem engavetada, pois os vinhos foram cabeludos.

Almaviva 2010, levado pelo aniversariante. Gigante chileno feito com Cabernet Sauvignon (61%), Carmenére (29%), Cabernet Franc (9%) e Petit Verdot (1%). Rico em aromas de amoras, cassis, chocolate amargo, pimenta-do-reino e toque de menta. Em boca, ótima acidez, taninos sedosos e final muito longo. Vinhão, claro. Mas deveria ter sido decantado. Gosto do Almaviva, mas sempre achei (e continuo achando) muito caro. Nota: O Almaviva que mais gostei foi o 2007. E nem foi o mais badalado e pontuado.

Lindaflor La Violeta Malbec 2008: Vinho top da Monteviejo, levado pelo Tonzinho. Irmão maior do potente Lindaflor (e quatro vezes o preço dele...). Produção pequena e crianza um pouco mais longa em barricas novas de carvalho francês (por até 36 meses).  Notas florais, de ameixas e figos, em fundo abaunilhado. Em boca, acidez equilibrando o dulçor, taninos muito sedosos e final interminável. A diferença em relação ao seu irmão "menor"? Finesse! É incrível como fica degraus acima neste quesito. É elegante ao extremo, macio e refinado. Vinhão! 
Valduero 6 Años 2005, levado pelo JP (que aliás, já havia levado o 2004). Este sou fã incondicional. Monstro de vinho! 3 anos de barrica (de origens variadas) e mais 3 em garrafa antes de sair ao mercado. Sempre digo que este vinho é um camaleão. No começo, se apresenta como um vinho espanhol de estirpe, e depois, vai mudando, adquirindo novas nuances, novos aromas e sabores. É muito rico. Notas de cerejas pretas, toffee, especiarias doces, alcaçuz e chocolate. Em boca, muita sedosidade e final interminável. Simplesmente, delicioso! Vinho grandioso! Continuarei gostando, sempre. 



Vida Toscana 2006: Vinho levado por este que vos escreve, produzido em Firenze, por Tony Sasa, dono da Enoteca Pontevecchio. Trazidos no colo por minhas queridas irmãs. Tempos atrás levei para a turma beber um Brunello dele, excelente, chamado Martina, em homenagem à sua filha (clique aqui). Este Vida é coisa rara. Foi feito em homenagem à avó de Tony. O corte é inusitado (ainda mais para a Toscana): Cabernet Franc 70% e Cabernet Sauvignon 30%. Parece que não passa por madeira. Além do belo rótulo, o vinho é muito bom. Aromas de amoras e framboesas, em meio a um toque picante. Em boca, vinho vibrante, bela acidez e taninos finos. Eu achei uma beleza. Talvez meus confrades não tenham entendido muito a sua proposta. 
Amarone della Valpolicella Giacomo Montresor 2009: Levado pelo Joãozinho. Amarone típico, com aromas florais, uvas passas, azeitona preta e chocolate. Em boca, repete o nariz e mostra taninos  volumosos. Final longo e com notas de chocolate amargo. Bom e com anos pela frente. Também precisava de decanter. 



El Enemigo Malbec 2008: Não me lembro quem levou. O mais singelo da noite, claro. Bem, é só olhar para os outros. Malbec concentrado, extraído, com notas de fruta em compota. 




sábado, 22 de julho de 2017

Castello di Ama Chianti Clássico 1998 e La Spinetta Barbera D'Asti Superiore 2001

Tempos atrás o Akira fez uns negócios com um senhor de São Paulo, que nos rendeu muitos vinhos antigos, todos italianos. Teve Gravner, Biondi Santi, La Spinetta etc. E esses dois abaixo foram da mesma leva. 
Castello di Ama Chianti Clássico 1998: Velhinho de pedigree. Para nossa surpresa, ainda inteiro. Acho que foi o Castello di Ama mais leve que bebi. Cor clara, aromas de cereja, chocolate e especiarias. Em boca, corpo leve, taninos devidamente arredondados pelo tempo e final especiado. Bem, a safra ficou engavetada entre duas grandes safras: a histórica de 1997 e a excelente de 1999. Não foi dos melhores Castello di Ama que bebi, mas estava bem agradável.
La Spinetta Barbera D'Asti Superiore 2001: Outro velhinho de grande safra, mas agora, do Piemonte. O produtor é tradicional e produz ótimos vinhos com a Barbera. Vinho com aromas de frutas silvestres, florais, funghi e especiarias. Em boca, elegância, boa acidez, taninos redondos e final especiado. Um senhor, devidamente amaciado pelo tempo. Bem mais inteiro que o seu irmão toscano. Muito bom.





quinta-feira, 20 de julho de 2017

Fontodi Vigna del Sorbo Reserva 2007, 12 Volts 2011 e um Amici!

Noite com pouca gente na confraria. Só JP (que não falta), Thiago e eu. Mas os vinhos foram bons. Decepção, só mesmo o levado pelo JP. Uma pena, pois ele estava muito bem intencionado, e o vinho, era para ser grande: Fontodi Chianti Classico Vigna del Sorbo Riserva 2007. Safra boa, vinho com pedigree, que a partir de 2011 foi até promovido a Gran Selezione. Mas infelizmente, não estava de acordo. O nariz mostrava fruta madura, quase cozida, aromas meio passados. Em boca, a mesma decepção: Fruta meio passada, esquisito, cansado, pouca acidez. Parecia vinho que tinha tomado sol, mal acondicionado, ou coisa do tipo. Uma pena, pois a expectativa era grande. Felizmente, tenho um 2006 deste que espero apague esta experiência ruim com esta garrafa. Mas o que eu levei, na foto à esquerda, um 12 Volts 2011, da vinícola espanhola 4 Kilos, de Mallorca, fez bonito. É um corte de Callet (majoritária), Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot, com fermentação em inox e maturação por 9 meses em barricas usadas e foundre. É um vinho diferente, com aromas um pouco exóticos, frutado, com notas de groselha e mirtilo, em um fundo tostado e especiado. Em boca, fruta madura, com entrada levemente doce equilibrada com ótima acidez e toques picantes. Muito agradável e interessante. Na verdade, muito gostoso o danado! Todos gostamos muito. Mandei para a cesta mais uma garrafa em um bota-fora recente da Vinci. Recomendado!


O Amici Cabernet Sauvignon 2012, levado pelo Thiago, é produzido por um grupo de quatro amigos que decidiram, em 1991, esmagar umas uvas no Napa Valley e fazer um vinho para consumo próprio. O danado ficou tão bom que gostaram da ideia e começaram a produzir vinhos comercialmente. A produção ainda é pequena, mantendo o caráter artesanal. Este "Amici", que tem a Cabernet Sauvignon como majoritária, mas pitadas de outras castas francesas, tem aromas de amoras, cassis, café e madeira (cedro). Em boca, boa fruta, chocolate amargo e especiarias. Intenso e com taninos sedosos. O final tem um toque de cedro. Vinho bem feito e muito agradável. 
Isso aí!


quarta-feira, 19 de julho de 2017

La Azul Gran Reserva 2009, Meandro 2011, Poliphonia Signature, Il Balzini White Label e Mastroberardino Aglianico


La Azul Gran Reserva 2009: Levado pelo JP. Corte de Malbec e Cabernet Sauvignon, com maturação por 24 meses em barricas 70% francesas e 30% americanas. Produção pequena, apenas 3.000 garrafas. Notas de ameixas e cereja, chocolate, baunilha e tabaco. Denso, com taninos redondos e grande potencial de guarda. Muito bom.

Meandro 2011, da Quinta do Vale Meão, em garrafa Magnum, levado pelo Joãozinho (que comprou enganado, pensando estar levando um Meão...rs). Esse não decepciona. Cerejas e frutas silvestres em meio a especiarias e notas minerais. Em boca, repete o nariz e mostra taninos redondos. Muito bom, mas eu esperava mais considerando a safra histórica. Pode ser que ganhe com o tempo. Por hora, não acompanhou seus conterrâneos na alta qualidade da safra. Mas posso morder a língua...rs. Do lado direito dele, o alentejano Poliphonia Signature 2009, levado pelo Paulinho. Este já pintou aqui outras vezes (clique aqui). Assim, não vou gastar muitas linhas com ele. Só dizer que é um vinhaço!

I Balzini White Label 2008: Levado pelo Caião, que desta vez, acertou a mão. Sangiovese temperada com Cabernet Sauvignon. Vinho de grande complexidade, com notas de cereja, framboesa, tabaco e especiarias. Madeira bem integrada, acidez vibrante e taninos redondos. Final longo e especiado. Um vinhão, muito polido e com grande presença. Esteve em oferta muitas vezes em promoções da World Wine. Quem pegou, se deu bem. 

Mastroberardino Aglianico 2010: Acho que foi levado pelo Thiago, pela segunda vez. A primeira pode ser vista aqui. Um vinho que eu gosto, com certa rusticidade, bela acidez, nervo. Para quem gosta de vinhos italianos. Eu sempre os prefiro mais velhinhos...









terça-feira, 18 de julho de 2017

Lavradores de Feitoria Três Bagos 2010

Um vinho mais tranquilo, para quebrar o ritmo...
Lavradores de Feitoria Três Bagos 2010: O nome vem do fato de ser feito com 3 castas (Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca), provenientes de 15 quintas da propriedade. Os vinhedos possuem entre 25-30 anos de idade. Metade do vinho matura em inox e a outra metade, em barricas francesas de segundo uso por 8 meses. Tem aromas de frutas silvestres (amoras), alcaçuz, minerais e um fundo balsâmico. A baunilha, relatada por alguns degustadores, já não aparece tanto. Em boca, boa fruta e bom frescor, taninos redondos e final mineral. Bom vinho, em seu ápice. 




segunda-feira, 17 de julho de 2017

Festa no JP: Paella do Caião e muito vinho bão! Valbuena, Prado Enea, Pingus PSI, Condrieu Georges Vernay etc...


Tempos atrás fomos à casa do JP comer uma paella, feita pelo Caião. O dia estava quente e sugerimos levar mais brancos, inclusive, para acompanhar a paella. É claro que a turma não resiste e um ou outro tinto sempre aparece...rs. E a lista foi boa. Um deles, foi este aqui do lado, ofertado pelo JP. Mas teve muitos outros, mostrados no painel abaixo e descritos a seguir. Belo almoço!






Começando pelos brancos, o Saxum Sauvignon Blanc 2008, espanhol de rueda, feito com uvas de vinhedos centenários, barricado, com notas de maracujá e frutas tropicais. Levado pelo Paolão. Bom vinho para acompanhar a paella. Mas acabou antes...rs. Eu levei duas garrafas: Sol de Sol Chardonnay 2009, que já pintou por aqui. Muito bom vinho, fresco, vivo, um dos melhores chilenos feitos com esta casta. Pena estar subindo muito de preço. O outro que levei foi também chileno, premiado recentemente pela revista Decanter e também muito elogiado pela Jancis Robinson: Clous des Fous Locura 1 Chardonnay 2012. Vinho feito por Pedro Parra, com pouca intervenção, a la bourgogne. Achei ainda mais fresco que o Sol de Sol, com madeira imperceptível. Fruta na medida, frescor e mineralidade são a receita deste vinho que surpreende. Experimente. O Caio levou um Condrieu Georges Vernay Les Chailles de L'Enfer 2007, que já pintou por aqui. Ótimo como sempre, mas no seu ápice e começando a descida. Mas é uma descida de uma ladeira alta. Muito bom! Outro branco foi um Colomé Torrontés 2012. Não me lembro quem levou este danado. Não sou lá muito fã de vinhos feitos com esta uva, mas este é muito bem feito e na minha opinião, um dos melhores. Notas florais, mexerica e toques minerais. O Paulinho levou um Principal Rosé 2010, que já pintou por aqui outras vezes (clique). Rosé fresco, com bom corpo e muito agradável. Perfeito para acompanhar a paella do Caião. Não sei quem levou o Crasto Superior Branco 2013, do painel acima, mas estava muito bom. Frutas tropicais, flores e notas minerais. Frescor em boca e final mineral. Mais um bom vinho desta vinícola que nunca decepciona.
Os tintos, desta vez, foram minoria, mas uma minoria nervosa. Além do Principal Rosé, o Paulinho levou um belo riojano: Muga Prado Enea 2004. Que delícia de vinho! Cereja preta, notas tostadas, alcaçuz e tabaco. Tradição e modernidade com mãos dadas, em vinho de grande safra. Grande estrutura e potencial para ainda muitos anos. Mas este já foi. Delicioso! Um dos melhores da tarde, sem dúvida. O Thiago levou um Clos Floridene 2011. Vinho de Graves, feito com Cabernet Sauvignon cortada com Merlot. Nariz floral, framboesa e notas minerais. Em boca, acidez cítrica, mineral e taninos redondos. Deve ganhar com o tempo, mas já pode ser bebido agora. Ótimo custo benefício para um Bordeaux de muito boa qualidade. Bem, e para finalizar, os vinhos ofertados pelo anfitrião, JP. O primeiro foi um Pingus PSI 2011. Vinho de pedigree, cor escura, fruta madura, notas vegetais, mineral, caráter gastronômico. Diferente dos tradicionais Ribera. Tem jeito próprio. Gosto dele! Acho que precisa ter decantado um tempo para dar uma equilibrada. Mas a turma não dá tempo... E para finalizar, um Valbuena 2006, para o JP não perder o costume, claro... Nosso amigo Rodrigo já levou um deste em 2014 (clique aqui), em um aniversário do JP. Mudou pouco nesse tempo, mas está adquirindo um toque mais sério, terroso. Ameixas, cerejas pretas e especiarias. Vinhaço, sempre! Uma delícia! Mas olha, o Prado Enea 2004 não ficou longe dele...
Isso aí!

Ah, a Paella do Caião. Bonita, né? E gostosa!




sexta-feira, 14 de julho de 2017

El Vinculo Gran Reserva 2005, Chateau Belregard-Figeac 2009, Marques de Riscal Reserva 2012 e Animal Malbec Orgânico 2015

El Vinculo Gran Reserva 2005: Uma edição limitada, de apenas 9.000 garrafas. Feito sob a batuta do grande Alejandro Fernandez (Pesquera), na região de La Mancha. Grande safra e grande produtor. Aromas de cereja madura, ameixas, caixa de charuto e especiarias. Em boca, fruta madura e especiarias, boa acidez, mineralidade e taninos devidamente domados pelo tempo. Rico e delicioso! Não por que eu que levou o danado, mas ele foi fácil o melhor da noite...

Chateau Belregard-Figeac 2009: Feito com 75% Merlot e restante de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Aromas de amoras, couro, picantes e grafite. Em boca, novo ainda, demandando tempo para se mostrar. A fruta ainda fica um pouco escondida. Notas picantes e minerais. Bom vinho, mas precisa respirar bastante. Bebemos rápido e não deu para curtir de maneira adequada. Levado pelo Tonzinho.
Marques de Riscal Reserva 2012: Este não falha! Sempre bom! Aromas abaunilhados, madeira, cereja, ameixa e tabaco. Em boca, corpo médio, madeira ainda saliente, mas sem incomodar, e taninos sedosos. Dê-lhe tempo...

Animal Malbec Orgânico 2015: Obra de Ernesto Catena, que tem enveredado pelo caminho dos orgânicos e naturais. Passa 10 meses em barricas francesas e americanas. Cor cereja, límpida e brilhante, aromas de framboesas bem maduras e especiarias doces. Em boca, o dulçor da Malbec, mas com bom frescor. Malbec fácil de beber, sem peso e que deve melhorar com um pouco de guarda. Uma linha distinta, que apesar do dulçor, agrada.




Ainda na linha "bom e barato": Adro da Sé Reserva 2008

Na verdade, eu diria que este Adro da Sé Reserva 2008 é muito bom, e barato! Vinho da cooperativa UDACA, que sempre tem bons vinhos a bons preços, ele é feito com Touriga Nacional (majoritária), Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro. Não passa por madeira. É um vinho já com seus 9 anos e com boa riqueza aromática, sem exageros e equilibrado. A fruta madura se mescla a notas de especiarias e terrosas, muito agradáveis. Em boca, repete o nariz, mostrando taninos finos, especiarias e mineralidade. Vinho senhorío, de qualidade, que surpreende pelo preço que é comercializado aqui (em Portugal, ainda mais surpreendente). E vi que sempre abocanha uns prêmios por lá. Recomendo! Importado para o Brasil pela Orion. Em São Carlos é comercializado pelas Casa Deliza.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Aliança Bairrada Reserva 2011: Bom e Barato!

Servi este Aliança Bairrada Reserva 2011 em um almoço e foi unanimidade: Todos gostamos! Vinho feito com Touriga Nacional, Baga e Tinta Roriz. Aromas de frutas maduras, leve floral e especiarias. Em boca, entrada levemente doce que engana um pouco e que agradou a mulherada. Mas a acidez e taninos equilibram o conjunto, e o vinho é bem agradável. Leve e fácil de beber. Bom para bacalhoada. Quando disse que comprei em um supermercado e paguei cerca de 30 Reais, ficaram surpresos. Claro que, por este preço, não podemos esperar um vinhão, complexo etc, e sim, um vinho justo e que entregue boa qualidade pelo preço. E este o faz. Vi que este 2011 foi incluído em uma lista de grandes vinhos portugueses pelo Dirceu Vianna, em 2013. Não sei se é para tanto, mas confirma que é legal.

Ps. Tenho postado sobre alguns vinhos de bom preço. Já reclamaram que eu só falo de vinho caro... Não é bem assim.


domingo, 9 de julho de 2017

Quintas das Bágeiras Colheita 2009: Bom preço e muito agradável!

Sou fã dos vinhos do Mario Sérgio Alves Nuno. Dos mais simples e de preço mais amigável, até os mais complexos (e mais caros). Dos vinhos tranquilos, aos espumantes, que são ricos e particulares. Esse Quintas das Bágeiras Colheita 2009 não tem a complexidade de um Reserva e muito menos de um Garrafeira do produtor, mas tem muito mais complexidade que vinhos na mesma faixa. É bairradino tradicional, feito com Baga, sem desengace, que deixa um caráter vegetal típico. Tem cor bonita, grená, e aromas de frutas maduras, especiarias doces e vegetais. Em boca, boa acidez, fruta madura, toques vegetais e taninos redondos. Muito bom para a sua faixa de preço. Combinação perfeita para as comidas lusitanas do Solar dos Portuga. Só não está fácil de encontrar. É importado pela Premium, de BH, mas difícil de achar. Eu comprava da Wine me Up, que infelizmente fechou, e da Morumbi vinhos. 

Veja aqui outros posts sobre vinhos da Quinta das Bágeiras.



sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pulenta X Gran Malbec 2013, Campo Viejo Gran Reserva 2010 e Duorum Reserva Vinhas Velhas 2009

Noite só com 3 confrades: JP, Tonzinho e este que vos escreve. JP levou o Pulenta X Gran Malbec 2013. Estava meio preocupado se viria Malbecão pesadão, "doção" etc. Mas olha, é bom... Vinho com beleos aromas de cereja preta, baunilha e toffee. Em boca, muito sedoso, equilibrado, taninos finos e grande persistência. Às cegas lembrava até um belo Ribera del Duero. Fez sucesso. O Campo Viejo Gran Reserva 2010, levado novamente pelo Tonzinho (que pelo jeito arrematou todas as garrafas do Free Shop), foi comentado aqui recentemente (clique aqui). Então, passarei...  E por fim, o Duorum Reserva Vinhas Velhas 2009, levado por mim. Projeto dos grandes João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. Vinho feito com uvas de vinhas velhas de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, com cerca de 100 anos de idade. Matura 18 meses em barricas 70% novas. O vinho tem cor escura, intransponível, e aromas florais, de amoras, kirsch, chocolate amargo e minerais. A madeira aparece, sem incomodar. Em boca é muito intenso, denso, com ótima acidez e taninos já redondos. O final é longo e com notas de uma especiaria que não identifiquei. Vinho complexo, com muita estrutura e corpo. Muito bom! Mas confesso que achei um pouco pesado. Estou tendendo para Durienses um pouco mais leves e frescos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sagrantino de Montefalco Arnaldo Caprai 25 Anni 2000: Um gigante!

Sagrantino de Montefalco Arnaldo Caprai 25 Anni 2000: Um super vinho ofertado pelo amigo Akira em seu aniversário! Eu já havia bebido outros Sagrantino, mas não este especial de um dos maiores produtores dele. O vinho demorou a se abrir. Ficou umas duas horas reticente. Mas depois disso, o danado arrebentou. Aromas de cereja preta, alcaçuz, tabaco, café, cacau, defumados e terrosos. Aos poucos foi surgindo um mentolado muito gostoso. Grande riqueza aromática! Em boca, uma explosão: Intenso, denso, carnudo, mas com ótima acidez, taninos redondos, mineralidade e um final interminável. Impressionante! Evolução belíssima nesses 17 anos! Os fãs de Brunellos devem tentar conhecer o poder deste vinho da Umbria. Nesta mesma noite foi aberto um Brunello de ótimo produtor, e o Sagrantino passou em cima sem dó. Vinhaço! Recomendadíssimo! Mas lembre-se de decantar ou beber devagar, deixando o danado mostrar o crescimento em taça. Não é vinho para apressados.

Mas a noite começou com este Domaine du Clos Naudin Vouvray Brut Reserve 2007. Espumante do Vale do Loire, feito com Chenin Blanc, por um produtor tradicional. Cor bonita, bolhas finas, aromas florais, boa fruta e panificação. Bom frescor e cremosidade em boca. Uma prova que não é só em Champagne que são feitos grandes espumantes na França. E também que esse negócio de ficar falando que o espumante brasileiro é o segundo melhor do mundo é precipitado. Além da França, Itália, Espanha, Portugal e até Inglaterra, produzem ótimos espumantes. Claro que temos ótimos espumantes aqui, mas entrar nessa onda de melhor, segundo melhor, terceiro melhor etc, não sei se ajuda.

Teve ainda um americano do Napa Valley, o Orin Swift The Prisoner 2006. Este é feito com um corte inusitado de Zinfandel, Cabernet Sauvignon, Syrah, Petite Syrah, Charbono e Grenache. Vinho complexo, fruta madura, groselha e cereja, em meio a notas de couro, alcaçuz e tostadas. Denso em boca, até um pouco licoroso. Acho que já atingiu o seu ápice. Para fãs do estilo.